Na realidade, por trás disto existe uma força silenciosa que quase ninguém percebe.
Muitas pessoas que foram magoadas fecham-se, tornam-se duras ou desconfiadas. Outras continuam calorosas, prestáveis e abertas - e isso deixa quem as rodeia desconfortável. Por detrás dessa aparente leveza há um enorme esforço interior, que raramente é interpretado da forma certa.
Porque é que a verdadeira gentileza depois da dor é tão mal compreendida
Quando alguém, depois de uma separação, de uma traição no trabalho ou de uma amizade tóxica, fica cínico, tendemos a acenar com compreensão. Parece lógico: a pessoa “aprendeu a lição”. E a dureza passa por sinal de maturidade.
Mas se alguém atravessa as mesmas experiências e continua a ser amável, muita gente lê isso como ingenuidade. “Ainda não percebeu”, “Ela vai deixar que a voltem a enganar” - frases deste género surgem depressa.
"A ideia generalizada: quem foi ferido tem de ficar mais duro. Tudo o resto é visto como estupidez ou negação."
É aqui que está o erro de raciocínio. É possível reconhecer com lucidez o quão duro o mundo pode ser - e, ainda assim, escolher não endurecer. Perceber como as pessoas podem agir e, mesmo assim, querer agir de outra forma. Estes dois planos - o saber e o fazer - não são a mesma coisa.
A verdade dupla que, por dentro, consome energia
Quem se mantém gentil apesar de ter sido magoado faz algo extremamente exigente: consegue suportar duas verdades ao mesmo tempo.
- O mundo pode ser brutal, injusto e frio.
- Eu escolho não ser assim.
A opção mais fácil seria validar apenas um lado: “as pessoas são más, ponto final” ou “não foi nada de especial, siga”. Mas quem continua amável sem se enganar a si próprio não se permite nenhuma destas simplificações.
É precisamente aí que entra a complexidade estrutural de que os psicólogos falam: a estabilidade interior não aparece porque tudo é simples, mas porque alguém aguenta a tensão entre contradições sem se partir.
O que a psicologia diz: crescimento pós-traumático depois do choque
Na investigação em psicologia, há um conceito que surge repetidamente: crescimento pós-traumático. Com isto, referem-se a mudanças positivas que as pessoas
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